Redação: Rafael Guimarães Pereira | Revisão: Vânia Cristina Pereira Cabral
A pergunta desta semana do Empresograma é a número 006: "Que proveitos evolutivos têm sido auferidos pela empresa, decorrentes da adoção sistemática de práticas de planejamento e inovação, em função da competitividade de longo prazo?"
Essa pergunta nos leva a refletir sobre duas práticas que, embora pareçam óbvias, ainda são deixadas de lado por muitas empresas: planejamento e inovação.
Sobre planejamento, existem alguns caminhos possíveis. Você pode simplesmente não planejar — e nesse caso corre o risco de acabar entrando no plano de outra empresa ou organização. Pode planejar sem a antecipação necessária, e mesmo assim perder o timing. Ou pode procurar planejar antecipadamente — não porque seja possível prever tudo, mas porque isso permite observar melhor os cenários, mitigar riscos, aproveitar oportunidades, identificar ameaças, trabalhar nas próprias fraquezas e, muitas vezes, reduzir custos de operação e de inovação. Planejamento não elimina a necessidade de decidir, nem os imprevistos, mas evita que a empresa esteja sempre apenas reagindo ao que os outros decidiram fazer.
Com a inovação, a lógica é parecida. Uma empresa pode decidir não inovar, mas isso não significa que o mundo ao redor dela vá parar de mudar. Você não vê mais muitos cavalos circulando pelas ruas de São Paulo, nem máquinas de escrever nos escritórios — e boa parte do trabalho hoje acontece online, com muito menos viagens do que antes. As necessidades mudaram, as tecnologias mudaram, os clientes também.
E há proveitos reais nessas mudanças: o transporte atual é muito mais eficiente, e computadores e internet permitem comunicação, conectividade e produtividade em praticamente todas as áreas da vida humana. A pergunta que vale a pena fazer é como transformar isso em alavanca para a evolução pessoal de cada um — não só em ganho de eficiência, mas em desenvolvimento real.
Há empresas que um dia inovaram, muitas vezes impulsionadas pela energia de seus fundadores, mas depois perderam o trem da inovação e ficaram para trás. A Kodak é um exemplo clássico dessas discussões: pioneira na fotografia, viveu uma transformação profunda quando o mercado migrou dos filmes para os processos digitais. Hoje vivemos outra grande transformação — a Inteligência Artificial já está mudando a forma como as empresas trabalham, produzem, analisam informações e se relacionam com seus clientes, e provavelmente não será a última mudança dessa magnitude que veremos.
Mesmo que uma empresa não queira inovar, seus clientes continuam querendo novidades: um novo recurso, um produto mais barato, algo mais simples, rápido ou conveniente. Alguma vantagem a inovação precisa trazer. E inovar não significa apenas criar um produto revolucionário — às vezes está na forma de fazer as coisas, na simplificação de um processo interno, na eliminação de uma etapa que já não faz sentido, na melhoria de uma operação.
Vale também frisar que a inovação, por si só, é neutra: existem inovações bélicas, destrutivas, doentias e anticosmoéticas. Aqui, o foco está nas inovações que promovem o progresso evolutivo da humanidade — e é sobre esse tipo de inovação que vale a pena fomentar uma cultura dentro da empresa. Isso exige aceitar algo nem sempre confortável: quem tenta melhorar alguma coisa também pode errar. Se toda tentativa que não dá certo for punida, teremos cada vez menos gente disposta a experimentar — mas é justamente no caminho que estão os aprendizados. Pessoas e empresas que aprendem a aprender, e que conseguem incorporar a inovação com leveza e disposição em sua forma de fazer as coisas, tendem a construir projetos, programas e negócios mais longevos.
Planejamento e inovação, nesse sentido, não são apenas ferramentas para competir. São práticas de aprendizagem — formas de compreender melhor o presente e se preparar, dentro do possível, para o que ainda está por vir. E você? Como está a sua neofilia diante de novos aprendizados? Você e sua empresa têm conseguido tirar proveito evolutivo das inovações? Têm sido inovadores, observadores ou apenas seguidores dos inovadores?
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