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O que é, afinal, inovar?

O que é, afinal, inovar?

Redação: Rafael Guimarães Pereira | Revisão: Vânia Cristina Pereira Cabral

Inovar é fazer algo inédito, que nunca foi feito antes? Reformular reler algo que já existe? Transpor uma tecnologia, ou uma forma de fazer, de uma área para outra, conectando mundos distantes? Ou simplesmente juntar conceitos, associando ideias que ainda não tinham se encontrado?

A consultoria Doblin, em um artigo bastante conhecido [inserir referência], mapeia dez tipos de inovação organizados em três grandes frentes — configuração, oferta e experiência: modelo de lucro, conexões e ecossistema, estrutura, processos, desempenho do produto, plataforma de produto, serviços, canal, branding e engajamento do cliente.

Hoje, boa parte da inovação se concentra em cobrança, operação, distribuição e engajamento do usuário — este último, cada vez mais, uma questão de psicologia. O SaaS pavimentou esse caminho, e os produtos que talvez melhor resumam o modelo de inovação atual são os copilotos de IA generativa. Entre os fatores que aparecem nesse modelo estão o raciocínio adaptativo, a assinatura por tokens ou consumo, a interface em linguagem natural e a escala customizada por usuário.

Você já reparou que as próprias interfaces estão mudando? Em vez de telas cheias de botões, cada vez mais é só um chat. O rádio moderno, uma “Alexa”, no lugar de sintonia e um punhado de botões — quem lembra do 3 em 1? — hoje é só comando de voz. O GPS, hoje controlado por voz e com indicações visuais claras, lembra pouco o Garmin “raiz” com botões e coordenadas impressas em uma tela P&B.

Assim, o formato atual se aproxima mais do natural do ser humano — simplifica a interface porque consegue se comunicar conosco de um jeito mais orgânico. Não é natural memorizar os comandos de um editor de texto, de uma planilha eletrônica ou de um ERP ou CRM complicado; hoje essas mesmas ferramentas estão se adaptando ao modelo de chat.

Será que a experiência do usuário vai se resumir a telas de chatbot, inspiradas no ChatGPT? Não sei responder com certeza. Quem viu os filmes futuristas de Star Wars talvez lembre que a tecnologia de ponta estava embarcada nos próprios robôs, como o droide poliglota C-3PO e seu simpático parceiro R2-D2.

Trazendo isso para a realidade das nossas empresas, que podem operar tanto no mundo digital quanto movimentar produtos tangíveis: o que é inovar, nesse contexto? Às vezes é trazer um produto de fora que ainda não chegou aqui. Às vezes é usar um modal de transporte ainda pouco explorado. Às vezes é simplificar um ingrediente, que deixa de precisar de cadeia fria. Às vezes é oferecer uma nova forma de o cliente financiar a compra, ou se tornar mais competitivo a partir de uma decisão tributária. As possibilidades são muitas.

No comércio internacional, isso se multiplica, porque não estamos restritos às regras de um único país — entram em cena as interações entre países e entre pessoas de culturas diferentes. Por outro lado, existe a questão da percepção: o que para uma pessoa pode ser uma grande inovação, para outra pode não ter valor algum. Daí a importância de conhecer muito bem o público-alvo — suas expectativas, suas dores — para inovar de forma produtiva, resolvendo problemas reais.

Vale também um alerta: não é inovação criar dificuldades para depois vender facilidades — algo comum em locais mais corruptos. Isso não é inovação; é atitude anticosmoética. A inovação evolutiva começa dentro do indivíduo, na forma como encara a vida. O espírito inovador enxerga oportunidade em tudo, o tempo todo, de forma produtiva, buscando melhorar a vida das consciências envolvidas.

Por isso, vale fazer toda inovação passar por alguns critérios antes de seguir em frente: • Essa inovação está alinhada com meu propósito de vida e valores? • Para implementá-la, uso somente meios cosmoéticos? • Ela traz benefícios reais para todos, ou só para um grupo?

Se a resposta for sim para todas essas perguntas, ótimo — vale seguir em frente.

E você, já refletiu sobre a inovação que traz ao mundo? Tem critérios próprios para avaliar o impacto do que cria?

#Inovação #InteligênciaArtificial #ComércioInternacional #Nordosudo