Antes de qualquer coisa, quero fazer um convite. Use o seu discernimento. Leia, observe, compare e avalie tudo aquilo que chega até você. Inclusive este texto. Não gosto muito de lacração ou de textos que parecem querer ensinar aos outros exatamente o que eles devem fazer. Então vamos apenas trocar uma ideia.
Afinal, o que você precisa mudar, ou manter dentro da sua empresa é algo que, em última análise, compete a você avaliar. Não é alguém de fora que pode simplesmente chegar e dizer o que é melhor para a sua empresa. Cada organização tem uma história, pessoas, competências, limitações, recursos, clientes e um propósito próprio.
Mas isso também não significa que devemos olhar apenas para aquilo que já fazemos e concluir que está tudo bem. Uma postura aberta, neofílica e, ao mesmo tempo, crítica pode nos ajudar a identificar aquilo que fazemos bem, os pontos que merecem atenção, aquilo que precisa ser melhorado e até mesmo competências que ainda não possuímos, mas gostaríamos de desenvolver.
Esse tipo de olhar permite compreender com mais clareza as reais necessidades da empresa. Não para mudar por mudar. Nem para seguir a última tendência do mercado. Mas para verificar o que precisa ser desenvolvido para que a empresa possa atender melhor ao seu propósito e, naturalmente, aos seus clientes.
Quando falamos em crescer para além do mercado nacional, essa reflexão se torna ainda mais importante. Durante muito tempo, a internacionalização pareceu ser algo reservado a determinados setores, grandes empresas, empresas privilegiadas ou pessoas que dominam outros idiomas. Eu não penso assim.
Acredito que praticamente qualquer empresa deveria, pelo menos, considerar a possibilidade de ampliar sua atuação para além das fronteiras nacionais. Isso não significa que todas precisam exportar. Nem que todas precisam fazer isso agora. Mas talvez valha a pena perguntar: Existe algo que fazemos que poderia encontrar valor em outro lugar do mundo?
E aqui aparece um ponto que considero importante. Não deveríamos transformar determinadas condições em pré-requisitos absolutos para começar a pensar em exportação. Falar outros idiomas é importante. Eu mesmo investi bastante tempo e recursos para aprender e me comunicar em diferentes idiomas. Mas o idioma não deveria ser colocado como uma condição para que uma empresa comece a olhar para o mundo.
Assim como nenhuma outra condição deveria servir automaticamente como desculpa para nem sequer considerar essa possibilidade. O que talvez precise ser desenvolvido primeiro é uma mentalidade. Uma mentalidade de empresa do mundo. Você pode nascer como uma pequena padaria de bairro e, eventualmente, descobrir que pode vender pães, receitas, conhecimento ou cursos para pessoas em diferentes lugares. O tamanho atual da empresa não determina necessariamente o tamanho do mundo que ela pode alcançar.
Tudo começa pela forma como enxergamos as possibilidades.Essa mentalidade também influencia a organização. É ela que ajuda a atrair pessoas com diferentes competências, parceiros, clientes e talentos capazes de contribuir para que a empresa se abra para novos mercados. E ninguém precisa fazer essa jornada sozinho. Existem empresas, instituições, parceiros e profissionais que podem ajudar a desenvolver competências, compreender mercados e construir esse caminho.
Crescer para além do mercado nacional não precisa ser visto como algo extraordinário ou inacessível. Pode ser simplesmente mais uma etapa da jornada empreendedora. E, na nossa experiência, pode ser muito mais gratificante do que imaginamos antes de começar. Talvez, portanto, a primeira pergunta não seja: o que preciso mudar dentro da minha empresa para exportar?
Talvez seja: o que precisamos conhecer, aprender e desenvolver para estarmos preparados para enxergar o mundo como parte do nosso mercado?
#Internacionalização #Exportação #EmpreendedorismoEvolutivo #Nordosudo
. Redação: Rafael Guimaraes Pereira . Revisão: Vânia Cristina Pereira Cabral