Redação: Rafael Guimarães Pereira | Revisão: Vânia Cristina Pereira Cabral
O mercado não está mais ou menos preparado para receber o meu produto ou qualquer outro produto. Quem deve estar preparado, em primeiro lugar, é o empreendedor.
Estar antenado para as necessidades dos consumidores, suas dores e os aspectos regionais, culturais e socioeconômicos já faz parte da cartilha há anos. É algo bem conhecido por quem trabalha com desenvolvimento de mercados.
Mas, então, por que estudar esses conceitos não garante um lugar ao sol para todo mundo?
Qual é a leitura crítica que faz com que alguns empreendedores se tornem mestres em compreender “o tal mercado”, enquanto outros erram sem parar, uma vez atrás da outra?
Eu penso que o ponto de partida precisa ser outro: eu devo estar preparado. Depois, desenvolver ou adaptar um produto que esteja de acordo com o alinhamento estratégico da empresa.
Outra coisa interessante de analisar é que alguns dos produtos de maior sucesso ou crescimento não eram “esperados” pelo mercado. Foram lançados pela convicção dos pioneiros. O Walkman, lançado em 1979, é um exemplo: ninguém havia pedido um aparelho que apenas reproduzisse música. O Post-it, lançado comercialmente em 1980, começou a partir de uma cola que era considerada inadequada para o objetivo inicialmente imaginado. O iPhone, em 2007, redefiniu o conceito de telefone. O Airbnb, em 2008, também apresentou uma proposta que não fazia parte do comportamento convencional de consumo.
A linha mais ortodoxa, amplamente aceita, diz que você deve olhar para o mercado, identificar as dores das pessoas e, então, desenvolver algo que tenha mercado para vender e prosperar.
Será mesmo?
Na minha opinião, o produto precisa estar alinhado com o propósito e os valores do empreendedor. É difícil imaginar que ninguém precise de algo que outro ser humano também precisa e, ainda por cima, é apaixonado por aquilo.
O que move o empreendedor evolutivo, penso eu, é algo mais profundo. É o desejo de transformar os ambientes em lugares melhores, reurbanizar os locais e as ideias e buscar o bem-estar de quem será impactado pelo seu produto ou serviço.
Por isso, acredito que o mercado está, sim, preparado para receber produtos autênticos e singulares, que emanem da singularidade de seu ou sua propositor(a) e que possam ajudar alguém de alguma forma.
A participação nesse mercado e a remuneração serão, então, consequências desse processo. E talvez a pergunta mais interessante não seja se o mercado está preparado para receber o seu produto, mas se você está preparado para colocar no mundo aquilo que acredita que pode torná-lo melhor.
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