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Cinco erros de quem quer exportar

Cinco erros de quem quer exportar

Esse título logo me lembrou de algumas empresas que me procuraram porque queriam exportar e estavam em busca de uma consultoria para saber como fazer. O sonho delas era levar seu produto para outro país. Até aí, parece uma ótima ideia.

Mas o primeiro caso que trago para compartilhar é o de um grupo de empreendedores que sonhava em levar tacacá e vatapá, pratos típicos da região Norte, onde nasceram, para que pessoas de outro país pudessem saborear aquelas delícias.

Eu logo pensei que uma comida tão típica provavelmente não colaria no exterior. E, em particular, no destino que eles sonhavam — os Estados Unidos —, praticamente não se come de manhã; muitas vezes é só um café, e está tudo resolvido. E agora? Como dizer a eles que, do jeito que estavam imaginando, as chances de dar errado eram grandes?

Esse caso resume bem um padrão que vejo se repetir. Aqui estão cinco dos erros mais comuns de quem quer exportar — e que, juntos, explicam boa parte dos projetos de internacionalização que não saem do papel ou não sobrevivem ao primeiro ano.

1. Fazer sem planejamento A vontade de exportar, sozinha, não é uma estratégia. Sem um plano — que envolva canal, posicionamento, precificação e operação — a exportação vira tentativa e erro, com o erro custando caro.

2. Vender antes de ter prontidão para exportação Fechar a primeira venda é empolgante, mas se a empresa ainda não está pronta — em rótulo, embalagem, documentação, capacidade logística — essa venda pode se tornar um problema maior do que uma oportunidade.

3. Não estudar o mercado-alvo Foi exatamente o erro do grupo que queria exportar tacacá e vatapá para os Estados Unidos sem antes entender os hábitos de consumo do país. Cultura alimentar, sazonalidade, regulação — tudo isso muda de país para país. Ignorar essa etapa é apostar o negócio no acaso.

4. Não investir em marca própria Muitas empresas terceirizam toda a construção de marca no mercado externo, ou simplesmente não investem nela. O resultado é competir apenas por preço, sem nenhuma diferenciação diante do consumidor estrangeiro.

5. Deixar o comercial somente na mão de terceiros, como distribuidores Distribuidores são parceiros importantes, mas quando toda a relação comercial passa exclusivamente por eles, a empresa perde a proximidade com quem realmente compra e consome seu produto.

E aqui vale um destaque: a combinação dos erros 4 e 5 é particularmente perigosa. Sem marca própria e sem relação direta com o mercado, sua empresa se torna uma desconhecida em um território onde não se relaciona diretamente com ninguém. É a receita para que anos de esforço e investimento virem pó.

Se a sua intenção é exportar, vale ter cautela — não para desanimar, mas para aumentar de verdade as chances de dar certo.

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