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Boas práticas começam por quem as pratica

Boas práticas começam por quem as pratica

O que significa, afinal, adotar boas práticas de mercado e de governança?

Quando pensamos em empresas, é comum imaginar estruturas, processos, políticas, códigos de conduta, conselhos e indicadores. Tudo isso pode ser importante. Mas, na prática, empresas são feitas de pessoas.

E, em especial nas empresas menores, a cultura empresarial costuma carregar fortemente as características de quem a criou e de quem a lidera. De certa forma, minha empresa também sou eu. Não no sentido de que todas as outras pessoas deixam de ter importância ou autonomia. Mas porque as minhas escolhas, atitudes e valores acabam influenciando o ambiente que ajudamos a construir.

A cultura não nasce apenas daquilo que escrevemos. Ela também nasce daquilo que fazemos. Por isso, seguir boas práticas de mercado é importante. Ter processos claros, definir responsabilidades, estabelecer critérios e buscar transparência certamente pode contribuir para uma empresa mais saudável.

Mas talvez seja possível ir um pouco além. Podemos construir também um combinado interno. Uma espécie de código grupal de cosmoética, construído a partir dos valores que queremos vivenciar nas relações entre as pessoas e nas decisões que tomamos. Na nossa visão, é isso que pode dar uma base mais profunda à governança.

Porque a governança não deveria existir apenas como um conjunto de regras impostas de fora para dentro. Ela também pode emanar das pessoas que constroem a empresa. Do empreendedor. Dos líderes. Das pessoas colaboradoras que escolhem participar daquele grupo, muitas vezes justamente porque encontram afinidade com seus valores e com a forma como a empresa procura atuar.

E aqui existe uma dificuldade importante. A cosmoética não é uma fórmula pronta. Cada pessoa a interpreta e procura vivê-la a partir do seu próprio nível de discernimento. É o que podemos chamar de autocosmoética. A lei, por sua vez, estabelece uma baliza mínima necessária para a convivência em sociedade.

Mas cumprir a lei não resolve todas as questões. Nem tudo o que é legal necessariamente é cosmoético. E nem tudo aquilo que uma pessoa considera autocosmoético está previsto na legislação. Isso não significa ignorar a lei. Pelo contrário. Significa reconhecer que a legalidade é fundamental, mas talvez não seja suficiente para responder a todas as situações que encontramos no dia a dia empresarial.

Muitas decisões importantes acontecem justamente nas zonas em que não existe uma regra clara dizendo exatamente o que devemos fazer. É nesses momentos que os valores realmente são testados. Talvez seja fácil escrever que uma empresa valoriza transparência, respeito, responsabilidade e ética.

Mais difícil é manter esses princípios quando uma decisão pode representar perda financeira, atraso, desconforto ou conflito. É aí que aparece a coerência. Entre aquilo que está escrito e aquilo que é vivido. Entre o discurso e a prática. Entre os valores declarados pela empresa e as decisões tomadas por quem a conduz.

A pergunta do Empresograma nos provoca justamente nesse sentido: Qual é o nível de excelência das boas práticas e da governança presentes em nossa empresa? Talvez a resposta não esteja apenas nos documentos, processos ou certificações que conseguimos acumular. Talvez seja preciso observar algo mais simples — e, ao mesmo tempo, mais difícil.

Como agimos quando ninguém está nos obrigando a fazer o que consideramos mais correto? • Redação: Rafael Guimarães Pereira • Revisão: Vânia Cristina Pereira Cabral

#EmpreendedorismoEvolutivo #Governança #Liderança #Nordosudo

Baseado na reflexão de pergunta Empresograma. 004. Qual a excelência da adotação de boas práticas de mercado e de governança presentes em sua empresa?